
A história da cachaça remonta do século XVI. O grande português Sá de Miranda já a ela se referia, como
na carta versificada ao seu amigo Antonio Pereira:
Eram iguais os juízes
não vinha nada da praça,
ali, da vossa cachaça,
ali, das vossas perdizes!
Sua produção no Brasil, vem assinalada pelos fins desse mesmo século, pois Gabriel Soares
dizia que, na altura de 1584, existiam oito casas de "cozer méis", na Bahia.
Em 1648, Margrave e Piso, na História Natural Brasiliense (História Natural do Brasil),
descreviam o método para fabricação do açúcar em nossos engenhos e mencionavam o fato de a Cachaça também
ser destinada à alimentação dos animais domésticos.
É como se refere o De "Indae ultriusques re et medica" (sobre coisa natural e médica das duas Índias")
Deste sumo, a coagular-se num primeiro tacho, com pouco de fogo, de onde se retira uma espuma um tanto
feculenta e abundante, chamada de Cagassa, que serve de comida e bebida somente para o gado.

Já no livro de contas do engenho de Serijipe do Conde, engenho esse dos jesuitas e localizado no recôncavo
da Bahia, consta no período de 1622-1653, a água ardente servida aos escravos, durante o trabalho.
De prazer dionisiaco reservado inicialmente aos escravos, a Cachaça com o aprimoramento da produção,
atraiu outros consumidores e passou a ter importância no Brasil Colônia.
Tal fato traduziu ameaça aos interesses dos portugueses que fabricavam a aguardente metropolitana Bagaceira.
Já em 1635, era proibida a venda de cachaça na Bahia.
Em 1639, deu-se a primeira tentativa de impedir até o fabrico do produto, mas a partir de então, iniciou-se
a reação dos interesses locais, formada por senhores de engenho, comerciantes, destiladores, e assim, enquanto
a disputa sofria flutuações aumentava o fazer e o consumir das "bebidas de vinho de mel, a cachaça.
A metrópole sendo derrotada na luta contra a cachaça Brasileira, mudou então de política e, em 1756, o produto
já figurava entre os genêros que, pela tributação, concorriam para a reconstrução de Lisboa, após a destruição
pelo terremoto.
No sécula XIX, o consumo da Cachaça já era alto, existindo deficiencia devido a induficiencia dos engenhos em
face da procura do produto pelos negros e irlandeses. E, no mesmo período, já eram também pretexto para
exaltação patriotica contra o domínio Português. Na região do nordeste, surge o movimento da Confederação
do Equador, de aspiração republicana, onde o então coronel José Felix de Azevedo e Sá então vice-presidente
da Provincia do Ceará, fazia seus brindes com Cachaça ao movimento em referência ao nacionalismo.

Após a derrota do movimento pelas forças mercenárias inglesa em sua maioria e as leais ao Imperador D.Pedro I,
o coronel José Felix de Azevedo e Sá com seu espírito humanitário, liderança e astúcia, veio ser o interlocutor
das duas partes, sendo nomeado por D.Pedro I para presidente da provincia do Ceará por vários mandatos.
Entre os aspectos folclóricos do seu uso, começaram a propagar-se os de natureza medicinal, havendo receitas caseiras
muitas elaboradas de remédios à base da Cachaça. Também no terreno de superstição, consignam-se procedimentos, tal
como o dever de deixar um pouco da bebida no copo, a fim de ser jogada fora, por cima do ombro direito, com
vistas a um "ofertório" às almas em geral, em particular às dos bebados. A produção de cachaça não é mais
realizada nos antigos engenhos, nas atuais usinas de fabrico de açucar, mas sim nos alambiques em pequenas propriedades.
A história da
cachaça se confunde com a própria história do
Brasil. Pode-se dizer hoje, com certeza, que a
cachaça, como bebida, foi uma invenção
brasileira. A palavra, de origem espanhola,
segundo Câmara Cascudo (cachaza) tem seu
registro literário mais antigo no poeta
português Sá de Miranda (1481-1558). Segundo o
jesuíta André João Antonil (em 1711), cachaça
era a “espuma grossa que se tira das caldeiras
na primeira fervura do caldo de cana durante o
processo de evaporação” no trabalho dos engenhos
de cana-de-açúcar no Brasil durante o ciclo do
açúcar no Brasil que durou 200 anos.

O primeiro engenho de que se tem notícia – o
famoso engenho de São Jorge dos Erasmos – foi
instalado por volta de 1532 na Capitania de São
Vicente, pelos açorianos, ao lado de Santos no
litoral paulista, podendo suas ruínas serem
visitadas até os dias de hoje. No trabalho de
extração do caldo para a produção do açúcar,
esse subproduto sempre presente – primeiro como
bebida de escravos – tornouse o principal
destilado de consumo e exportação para a África,
chamada pelos portugueses de “aguardente da
terra” e conhecida nos séculos seguintes como
aguardente, pinga, caninha, parati e mais um
sem-número de apelidos carinhosos para a Cachaça
do Brasil.
A cana era moída nos engenhos, por tração humana
ou animal, rodas d’água ou a vapor, – e o seu
sumo fermentado era destilado nos alambiques de
barro ou cobre, num processo artesanal em tudo
semelhante a produção do whisky na Escócia e
Irlanda.
A partir de 1930 com a chegada dos gigantescos
destiladores chamados “de coluna” a cachaça
perde muito de seu caráter artesanal só
retomando mais intensivamente esse perfil a
partir de 1990 com a liderança da produção
artesanal de Minas Gerais. Apartir de 1997 com a
criação do Programa Brasileiro de
Desenvolvimento da Cachaça por um grupo de
produtores, e depois com o apoio da Abrabe,
fortaleceu-se a valorização da imagem da cachaça
como um produto genuinamente brasileiro, com
características históricas, culturais e
econômicas significativas para o povo
brasileiro.
Todos os grandes acontecimentos nacionais foram
homenageados pela cachaça brasileira. Uma parte
expressiva da história e da memória brasileira
se faz presente no acervo de cultura visual e
design vernacular da produção gráfica da cachaça
do Brasil. O trabalho de entidades como a
APACERJ (no Rio) e a AMPAQ (em Minas) tem
ajudado a elevar a qualidade da cachaça para
níveis internacionais, com a oferta de cachaças
superiores em bares e restaurantes de alto
prestígio em todo o Brasil.

São Paulo é o maior produtor de caninha
industrial (de coluna) e Minas Gerais o maior em
cachaça artesanal (de alambique). Com uma
produção total girando em torno de 1 bilhão e
500 milhões de litros, ao ano, o consumo da
cachaça está em terceiro lugar em destilados no
mundo. Em todo o Brasil existem perto de 30 mil
produtores de cachaça artesanal.
Nos últimos anos, o grande diferencial da
cachaça de alambique tem sido o processo de
envelhecimento que utiliza, além dos barris de
carvalho, cada vez mais as madeiras brasileiras,
tanto as mais neutras como ipê, jequitibá e
amendoim, como uma infinidade de outras –
umburana, bálsamo, sassafrás, jatobá e araucária
– que conferem aroma e sabores diversos e
especiais. A diversidade de sabores reflete a
nossa própria diversidade cultural: Experimente
a Cachaça do Brasil Um pouco da alma do povo
brasileiro!
